A morte quebra o ritmo da vida e eu ainda não me acostumei com ela. A certeza de que a morte existe e que eu a percebo no momento em que ela tira a vida de alguém, isso me causa temor, a final ela vive para os vivos, pois os mortos não sentem mais a presença dela.
Todos os dias a morte marca presença na vida das pessoas, mas ela é quase impercebível, principalmente quando não se conhece aquele a quem ela o abraçou, nem a família daquele ente que não retornará nunca mais. Agora, quando nós conhecemos bem o ente sentimos que a morte furtou a vida, nos surpreendeu com o sentimento de perda, nos causou o mal-estar, me tirou do ritmo da vida e fez nascer em mim o sentimento de saudades o qual eu não gostaria de sentir.
Segundo o epicurismo, a filosofia deve servir para libertar o homem do medo do destino, da morte, das divindades. Na carta escrita a Meneceu o pensador epicurista escreve sobre a felicidade e diz:” Quem aconselha o jovem a viver bem e o velho a morrer bem não passa de um tolo, não só pelo que a vida tem de agradável para ambos, mas também porque se deve ter exatamente o mesmo cuidado em honestamente viver e em honestamente morrer.” (Tradução baseada na edição de Arrighetti. Epicuro. Opere. Torino, 1973.)
Viver é muito bom, é dom de Deus, tanto para o jovem, quanto para o velho, se é que envelhecemos, pois quanto mais o tempo passa mais jovem me sinto, a final a essência da vida não envelhece nunca, o que envelhece são os órgãos, tecidos que compõe o corpo humano e nada mais. Pensar na morte, honestamente, é enxergá-la com naturalidade é pensar no curso natural da vida: nascer, crescer e morrer, e é o que o epicurista esclarece na carta a Meneceu. Ser feliz é enfrentar os medos, os pavores e não fugir deles, mas enfrentar a morte é ter a certeza de que a vida é finita.
A palavra de Deus, o livro dos livros, a filosofia cristã por excelência menciona que o Senhor Jesus sentiu a amargura do prenúncio da sua morte, mesmo não se intimidando a enfrentou ,e morte de cruz, no entanto a resistiu ao dizer:
“A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo. E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres.” (Mateus 26.38-39)
Jesus Cristo, em corpo terreno sentiu na pele a experiência de viver, e sendo homem de carne e osso, desprezou a morte, mas por ser diferente, viveu e morreu, porém ressuscitou em corpo glorioso e vive para sempre. A missão de salvar as pessoas com dignidade estava, agora, declarada pela oportunidade: Morrer eternamente sem Cristo ou morrer vivendo eternamente com Ele.
Quando vou a um cerimonial fúnebre, perco o ritmo da vida, os meus sentimentos ficam atordoados, o meu coração acelera e desacelera, não sei se sorrio, já que o choro não sai, nem sei o que conversar, pois as palavras não existem, ou existindo estão acanhadas, então sinto vontade de não mais marcar presença naquele lugar, não desprezando o último dia de velar a presença de um corpo, mas fugindo dos meus sentimentos honestos. A morte é como um vazio que não se vê, mas não é o vácuo, porque a luz se propaga nele, ela é a esperança do desesperado e é a vida para quem tem a vida.
Se o meu corpo não provar da morte física é porque instantaneamente terei um novo corpo, tal qual o corpo de Cristo é, se você me perguntar como ocorrerá o processo dessa transformação eu não sei bem explicar, porquanto estou esperando por esse momento, porém sei que a primeira atitude a ser feita é aceitar a Cristo como o Salvador, depois permitir que Ele seja o Senhor de sua vida, a partir daí viver é buscar a fonte da água da vida. Se a morte física me alcançar, então correrei ao encontro do Senhor da vida eterna.
Rogéria França
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